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Está surgindo um novo AYURVEDA no Ocidente?

Atualizado: 14 de mai.

por Erick Schulz

Diretor do Instituto Naradeva Shala

 

Essa pergunta, entre outras, frequentemente é feita por estudantes de Ayurveda Ocidentais (fora da Índia) depois de estudar Ayurveda nas escolas indianas.


Ayurveda é um só. Não existe Ayurveda indiano, Ayurveda brasileiro ou Ayurveda estadunidense (USA) e sim, o que existe é uma metodologia criada pelos Rishis (sábdios) que, uma vez aprendida permite aplicar Ayurveda em qualquer lugar, tempo ou circunstância.



Este é o grande diferencial do Ayurveda. Mesmo tendo nascido e sendo desenvolvido pelo povo de Bharatha (“Indiano”) o Ayurveda é para todos, não existindo limites à tal pratica.


Mas você se pergunta e o título do texto, qual é a resposta afinal? A resposta é simples. Não está surgindo um novo Ayurveda e sim, o Ayurveda está se adaptando ao tempo, lugar e circunstância e isso nada muda o seu estado “original” pois, o Ayurveda foi feito justamente para isso. Não existe algo original, pois antes de existir algo que se possa nomear de “original” o Ayurveda é um conceito.


É muito comum atualmente em escolas, professores, livros, artigos se dizerem que eles, ou aqueles fazem o Ayurveda puro ou tradicional como é feito na Índia à milhares de anos e como está descrito nos textos clássicos do Ayurveda.


Nem na Índia que é o berço do Ayurveda se aplica o Ayurveda como era na sua origem, imagine aqui no Ocidente (fora da Índia). Não porque somos mais ou menos que os Indianos, mas são outros tempos, não existe mais a sociedade como era antigamente, não existem mais os mesmos alimentos, não existem mais as mesmas ervas, não somos mais os mesmos seres humanos.


Muitos devem estar se perguntando: mas você Erick, não é uma das pessoas que levantam a bandeira do Suddha Ayurveda, ou Ayurveda Puro (tradução livre), como já acontece em muitas Universidades e Grupos na Índia?


- Sim, eu sou uma pessoa que levanta essa bandeira, e assim como eu outros professores em todo o mundo fazem, mas se confunde quem acha que levantar a bandeira do Suddha Ayurveda (Ayurveda Puro) é achar que iremos voltar a viver como era na época do Caraka (autor do Caraka Samhita) ou de Patanjali. Na verdade, é muito pelo contrario.


O Suddha Ayurveda como muitos propõem, e eu sou um deles, é que independente de onde for estudar ou aplicar o Ayurveda que os princípios básicos do Ayurveda o conceito raiz, não sejam modificado.


A racionalidade básica do Ayurveda deve ser mantida em qualquer lugar, tempo ou circunstância. Isso é seguir o Ayurveda da forma mais pura, mais tradicional e todo o restante é adaptável.


Veja como já funciona há algumas décadas na Índia. Desde que a Índia se libertou do domínio e colonialismo inglês o Ayurveda voltou a ser usado e estudado em larga escala em toda a Índia. Mas com o imperialismo inglês, o estudo profundo no ayurveda “ficou sem ser feito” e a Índia mudou muito neste período, com novos alimentos sendo inseridos na cultura Indiana, novas bebidas, novas ervas etc, assim como alimentos, ervas e outros costumes simplesmente desapareceram.


A partir de então, Vaidyas "médicos ayurvédicos" continuaram a estudar esses novos alimentos, ervas e costumes e tudo isso foi se integrando ao Ayurveda de forma lenta e harmônica e até os dias atuais é assim.


Estudando o Ayurveda em sua forma mais pura, isso quer dizer, estudando o Ayurveda diretamente nos textos clássicos, estudando o Ayurveda diretamente pelos seus princípios, o Ayurveda se torna fácil e aplicável em qualquer lugar no mundo e tempo.


E é exatamente isso que acontece nos dias atuais no Ocidente. No Brasil, seguindo exatamente essa metodologia, eu e alguns grupos que trabalham com Ayurveda há alguns anos já estamos estudando, pesquisando e aplicando ervas, alimentos, óleos e outras substancias originarias do território brasileiro.

Algumas escolas e grupos estudam de forma empírica, outros grupos de forma mais acadêmica, outros grupos de forma laboratorial e outros como eu prefere estudar diretamente com o indígenas (nativos) brasileiros e entender o que podemos usar de acordo com o Ayurveda, pois há muitos anos atrás o Ayurveda surgiu também do povo nativo, só que era o que vivia onde hoje é chamado de Índia.


Nas minhas pesquisas cheguei a conclusão que todo tipo de estudo é importante, tanto o empírico, o acadêmico, o estudo laboratorial e todos eles se completam em si, mas o único que me deu profundidade no aspecto prático, energético e uma visão dentro dos Pancha Maha Bhutas foram os Indígenas (nativos) seja de qualquer que for a tradição e em qualquer parte do mundo.


Pois os nativos enxergam a natureza como ela é, vivem de acordo com ela, de acordo com as estações e respeitam os seus ciclos internos.


Basta nós estudarmos com eles e interpretarmos o conhecimento adquirido para o Ayurveda.


Então NÃO está surgindo um AYURVEDA novo e sim, podemos dizer que no Brasil estamos trazendo os conceitos tradicionais do Ayurveda e aplicando eles em nosso clima, alimentação, ervas, costumes etc.


Não precisamos virar indianos, ou comer comida Indiana ou só ingerir ervas indianas para praticar Ayurveda, muito pelo contrário.


Viva o Ayurveda a cada minuto onde estiver.

Namaskaram



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Erick Schulz

Escritor, terapeuta, professor e consultor de ayurveda. Estudou yoga e ayurveda no Brasil, Índia e Argentina se especializando nessa milenar arte e ciência e sendo reconhecido em todo o Brasil e Exterior. Entre seus certificados de ayurveda, destaca-se para aqueles obtidos no Arya Vaidya Shala, Cochin/Índia e no Arya Vaidya Pharmacy Training Academy, Coimbatore/Índia, este com o qual mantém constante contato e treinamento. Ministra aula de ayurveda em diversos estados do Brasil, no Chile e Argentina. Fazendo parte do corpo docente do Instituto Naradeva Shala e da Escola Latino-Americana de Ayurveda. Aluno direto do Dr. Robert Svoboda, o primeiro Ocidental a se formar como Vaidya (médico ayurvédico) na Índia. É diretor do Instituto de Cultura Hindu Naradeva Shala e Diretor e Instrutor (Gnana Dhatha Acharya) do Ashram Sarva Mangalam da Suddha Dharma Mandalam na cidade de São Paulo/SP. Diretor e Co-fundador da Escola Latino-Americana de Ayurveda. Editor chefe da Editora Naradeva (Naradeva Prakshana).

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