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ALIMENTAÇÃO DE VERÃO: onde as pessoas mais erram

  • Foto do escritor: Erick Schulz
    Erick Schulz
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura


No verão, a alimentação vira território de confusão. Entre o medo do calor, o discurso do “detox” e a estética da leveza, muita gente passa a comer menos — acreditando, sinceramente, que está cuidando melhor do corpo. O Ayurveda observa essa cena com certo silêncio clínico: não é o volume que adoece no verão, é a qualidade mal compreendida.


A alimentação de Grīṣma Ṛtu não pede radicalismos. Pede leitura fina do agni, do clima e da vitalidade disponível. Quando isso não acontece, surgem erros que se repetem ano após ano — e que drenam energia sem que a pessoa perceba.

Comer menos ou comer melhor? O dilema do verão


salada

Reduzir a quantidade de alimento no verão pode ser necessário. Reduzir a nutrição, nunca. Um dos erros mais comuns é confundir digestão sensível com necessidade de restrição. Quando o apetite cai, muitas pessoas simplesmente “pulam” refeições ou sobrevivem de lanches, frutas isoladas e líquidos frios. O estômago até parece mais leve — mas o corpo, por dentro, entra em déficit.



No Ayurveda, digestão fraca não significa estômago vazio. Significa agni instável. E agni instável pede alimentos mais fáceis de digerir, não ausência de alimento. Quando a pessoa come pouco e mal, instala-se o que chamamos de subnutrição disfarçada: o corpo perde força, a mente fica mais irritável, o sono piora — e tudo isso é atribuído ao calor, quando na verdade é falta de sustentação.



Comer melhor no verão é aprender a escolher o que nutre sem sobrecarregar. Pelo pensamento contido no Ayurveda, ao se alimentar deve-se usar a inteligência metabólica, não disciplina punitiva.

Frutas no verão: medicina ou armadilha digestiva?


Frutas são, sem dúvida, protagonistas do verão. Mas no Ayurveda, elas nunca foram alimentos “livres” de contexto. O erro não está na fruta, obvio que não — está no horário, na combinação e na quantidade.


Consumidas isoladamente, entre refeições, em horários adequados, muitas frutas cumprem papel medicinal: hidratam, refrescam e aliviam o excesso de pitta. Misturadas com alimentos pesados, ingeridas após refeições completas ou combinadas de forma inadequada, tornam-se fonte de fermentação, gases, distensão abdominal e fadiga.


É aqui que entra o conceito clássico de viruddha āhāra — combinações incompatíveis. No calor, esse princípio se torna ainda mais sensível. O que o corpo tolera no inverno, não perdoa no verão. Ignorar isso é um dos caminhos mais rápidos para desequilíbrios digestivos silenciosos.

Água gelada, sucos e bebidas “refrescantes”: uma crítica necessária


Poucas práticas são tão naturalizadas quanto beber água gelada no verão. O alívio é imediato — e enganoso. O frio excessivo não “esfria o corpo”; ele apaga o fogo errado. O agni digestivo, já fragilizado pelo calor ambiental, sofre um choque térmico constante. O resultado é digestão lenta, acúmulo de resíduos e sensação paradoxal de peso e cansaço.


O mesmo vale para o consumo excessivo de sucos crus, vitaminas/smoothies e bebidas industrializadas “refrescantes”. O Ayurveda nunca propôs extremos. O resfriamento deve ser gradual, inteligente, fisiológico e não agressivo.


Existem alternativas ayurvédicas reais: água em temperatura ambiente, infusões leves, bebidas preparadas com especiarias suaves e frutas adequadas. Soluções simples, mas baseadas em compreensão do corpo, não em impulso momentâneo.

Rasa, guṇa e vipāka no verão: como escolher alimentos sem paranoia


Quando se fala em alimentação ayurvédica, muitas pessoas entram em estado de vigilância excessiva. O verão, porém, não pede paranoia alimentar, mas sem dúvidas, pede critério. E os princípios de rasa, guṇa e vipāka existem justamente para isso: orientar escolhas, não criar medo.


No calor, sabores doces, amargos e adstringentes tendem a equilibrar. Alimentos mais leves, hidratantes e de digestão simples ajudam a preservar a vitalidade. Mas isso não significa eliminar tudo o que não se encaixa em uma lista rígida. O Ayurveda sempre trabalhou com contexto, território, coletividade e o corpo como entidade individual formada nesse contexto.

Alimentar-se no verão é um ato de discernimento


O verão não pede menos comida. Pede mais consciência. Quem come mal no verão dificilmente percebe o dano imediato — ele se acumula, silencioso, até se manifestar meses depois, quando o Outono chegar. Por isso, aprender a atravessar Grīṣma Ṛtu com inteligência alimentar não é detalhe: é prevenção profunda e duradoura.


Transforme sua rotina como caminho — não como rigidez.

Desejamos boas mudanças

Prof Erick Schulz

Profa Sabrina Alves


Foi a partir dessa visão clínica e pedagógica que surgiram os e-books Verão com Ayurveda e Sabores do Verão com Ayurveda. Eles não oferecem regras rígidas, mas caminhos claros para comer melhor, com prazer, sem sobrecarregar o corpo — mesmo nos dias mais quentes.


No verão, o alimento não deve desafiar o corpo.

Deve sustentá-lo com gentileza e precisão.

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Desejamos que ele o acompanhe como uma brisa, uma água fresca, um lembrete de que o cuidado é uma prática diária, não uma ocorrência extraordinária.




Com carinho, rigor e tradição viva, os autores

Prof. Erick Schulz & Profa. Sabrina Alves

Instituto Naradeva Shala

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