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ROTINAS DO VERÃO: Viver no fluxo da estação, não da moda

  • Foto do escritor: Sabrina Alves
    Sabrina Alves
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Como deixar o cuidado virar sādhanā, para a rotina não ser improviso


Nesses anos de atendimento e ministrando aulas, reparamos, especialmente sempre na volta das festas de final de ano que há uma armadilha recorrente no modo como atravessamos o verão: acreditamos que basta suportar. Reduzimos o cuidado a soluções pontuais, ajustamos aqui e ali a alimentação, reclamamos do calor, dormimos mal — e seguimos. No Ayurveda, isso não é adaptação. É resistência mal direcionada. Especialmente quando estamos diante de construções de habitações que estão longe de considerar a necessidade de climatização segundo o movimento do Sol.


O verão não pede heroísmo. Mas, definitivamente, pede disciplina sensível. Pede rotinas ajustadas, não força de vontade. E, sobretudo, pede que o cuidado cotidiano seja tratado como sādhanā — prática contínua, silenciosa, transformadora. Não como moda sazonal, nem como estética de autocuidado. E, sim, estamos falando de programas de "seca barriga", "treinos em jejum", jejuns intermitentes equivocados que brotam da necessidade das pessoas se adequarem ao que é performado nas redes sociais sobre o que é saúde.

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Dinācāryā no verão: o erro de manter a mesma rotina do inverno


Um dos equívocos mais comuns — e mais adoecedores — é atravessar o verão mantendo os mesmos horários, a mesma intensidade e o mesmo ritmo do inverno. A lógica moderna trata a rotina como algo fixo, quase moral: quem acorda cedo, treina pesado e produz muito estaria “fazendo o certo”, independentemente da estação, tudo para manter a performace de entrega, o clássico erro da doença do individualismo. O Ayurveda desmonta essa ideia com elegância e precisão.



No verão, o corpo acorda diferente. O calor já está presente antes mesmo do sol alto. A digestão não responde da mesma forma. A energia vital precisa ser economizada. Ajustar dinācāryā conforme as mudanças das estações, não é sinal de fraqueza — é leitura correta do tempo.


  • Horários de prática física devem ser mais curtos e mais cedo.

  • A exposição solar precisa ser consciente, não heróica.

  • O esforço excessivo, especialmente no meio do dia, drena bala de forma silenciosa.


O corpo até responde — mas cobra depois, em forma de fadiga, irritação, queda de imunidade ou distúrbios do sono.


Esse erro se agrava, especialmente, quando ignoramos o conceito de ritusandhi — o período de transição entre estações. Muitos entram no verão abruptamente, sem suavizar o ritmo, sem preparar o corpo. A adaptação não acontece de um dia para o outro. Ela é cultivada. Quando não há transição, há choque.

Abhyanga no verão: sim ou não?


oleo para verão

Poucos temas geram tanta confusão quanto a prática de abhyanga no verão. Entre o medo do óleo “esquentar demais” e o excesso de protocolos genéricos nas redes sociais, muita gente abandona a prática ou a executa de forma inadequada.


A pergunta correta não é “pode ou não pode”. É como, quando e quanto.


No verão, o óleo pode ser tanto aliado quanto sobrecarga. Em excesso, com óleos pesados ou em horários inadequados, ele dificulta a termorregulação e gera sensação de peso. Mas quando bem escolhido e aplicado com parcimônia, ele protege a pele, preserva a umidade dos tecidos e acalma o sistema nervoso — algo essencial em uma estação de dispersão energética.


Óleos mais leves, quantidades menores, aplicação consciente e frequência ajustada fazem toda a diferença. Os textos clássicos não sugerem abandono da prática, mas refinamento. Já o Instagram no vento seco da indústria do bem-estar, muitas vezes, ensina fórmulas prontas, descoladas do contexto, do clima e da individualidade.


Abhyanga no verão não é ritual estético. É técnica. E técnica exige discernimento.


Sono no verão: por que dormir mal não é culpa da mente


Quando o calor se intensifica, o sono fragmenta. Acorda-se mais vezes, sonha-se mais, sente-se o corpo inquieto. A resposta moderna costuma ser psicológica: ansiedade, excesso de pensamentos, estresse. No Ayurveda, a leitura é mais ampla — e mais justa com o corpo.


O calor agrava pitta, e pitta governa transformação, metabolismo e intensidade. À noite, quando o corpo deveria resfriar e se recolher, o excesso de calor interno mantém a mente ativa e o sistema nervoso em alerta. Não é falha de caráter. É fisiologia.


Por isso, listas genéricas de “higiene do sono” falham no verão. O que funciona são estratégias sazonais reais: ajustes no horário das refeições, redução de estímulos térmicos, práticas de desaceleração que não exijam esforço mental, ambientes mais escuros e frescos — e, sobretudo, rotinas consistentes.


Dormir bem no verão não é controlar a mente. É criar as condições para que o corpo possa desligar.


Rotina como caminho — não como rigidez.

No verão, a rotina não deve endurecer. Deve refinar-se. Quando o cuidado cotidiano é tratado como sādhanā, ele deixa de ser uma lista de obrigações e se torna um caminho de escuta. Pequenos ajustes, feitos com constância, sustentam o corpo quando o ambiente exige mais dele.


Desejamos boas mudanças

Prof Erick Schulz

Profa Sabrina Alves

Foi exatamente dessa compreensão — clínica, pedagógica e vivida — que nasceram os e-books Verão com Ayurveda e Sabores do Verão com Ayurveda. Eles não oferecem fórmulas milagrosas, mas orientações precisas para atravessar a estação com mais inteligência, menos desgaste e mais clareza.


O verão testa limites.

A rotina correta ensina a atravessá-los sem se perder.

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Desejamos que ele o acompanhe como uma brisa, uma água fresca, um lembrete de que o cuidado é uma prática diária, não uma ocorrência extraordinária.


Com carinho, rigor e tradição viva, os autores

Prof. Erick Schulz & Profa. Sabrina Alves

Instituto Naradeva Shala

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