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VERÃO, EMOÇÕES E O COLAPSO MENTAL SILENCIOSO

  • Foto do escritor: Erick Schulz
    Erick Schulz
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Há um cansaço típico do verão que não aparece nos exames. Ele não grita, não inflama de imediato, não pede socorro explícito. Ele se infiltra. Manifesta-se como irritabilidade sem causa aparente, impaciência com o mundo, dificuldade de concentração, sono fragmentado, uma sensação difusa de “não estar bem” mesmo quando tudo parece em ordem. Para a compreensão do Ayurveda, esse estado não é mistério. São traços precisos de um corpo e de uma mente expostos ao excesso de calor — externo e interno.


Este é um dos pontos onde o pensamento ayurvédico se mostra mais sofisticado do que as abordagens modernas fragmentadas: o verão não afeta apenas o corpo; ele reorganiza a mente. Ignorar isso é perder a chance de atravessar a estação com lucidez.


irritado

Por que o verão aumenta irritabilidade, impaciência e exaustão mental


Existe um equívoco persistente na forma como se compreende pitta. Ele é frequentemente reduzido à digestão, ao metabolismo físico, ao ácido do estômago. Mas pitta também governa clareza mental, discernimento, foco e intensidade emocional. Quando o calor aumenta fora do corpo, pitta se exacerba dentro — e a mente passa a operar em regime de sobrecarga.


O resultado não é apenas desconforto físico. É reatividade emocional. Pequenas frustrações tornam-se grandes conflitos. O ruído externo parece mais agressivo. A paciência encurta. A mente perde elasticidade. Não se trata de “problema psicológico”, mas de fisiologia sutil em desequilíbrio.


Os textos clássicos descrevem esse fenômeno com precisão ao apontar que, em Grīṣma Ṛtu, a vitalidade mental se torna mais vulnerável. A pessoa até continua funcionando — mas a um custo interno elevado. É por isso que o verão cobra um preço emocional de quem insiste em manter o mesmo ritmo, a mesma exigência e o mesmo padrão de estímulo de outras estações.


Produtividade no verão é uma ilusão moderna


Poucas ideias são tão violentas para o corpo quanto a noção de produtividade constante. O verão expõe essa falácia com clareza cruel. A cultura contemporânea exige desempenho linear em um mundo cíclico. O Ayurveda nunca compactuou com isso, mesmo que ele seja usado constantemente nas vitrines das plataformas digitais para vender protocolos de detox.


Na tradição clássica, cada estação impõe limites claros ao que pode — e ao que não deve — ser exigido do organismo. O verão pertence ao tempo da conservação, não da expansão. Forçar produtividade elevada nesse período é praticar violência cronobiológica: um desrespeito ao relógio interno do corpo e da mente.


A crítica ayurvédica não é moral, é funcional. Quando o ritmo natural é ignorado, o corpo se adapta às custas da mente. O foco diminui, a criatividade seca, a tolerância cai. O que se chama de “falta de disciplina” é, na verdade, um organismo pedindo socorro e indicando o caminho para uma desaceleração inteligente.


Grīṣma como professor: o que o verão ensina sobre limites


O verão é uma aula prática sobre finitude energética. Ele nos lembra — sem delicadeza — que a energia não é infinita. Que há momentos de expansão e momentos de recolhimento. Que sustentar-se é tão importante quanto produzir.


No Ayurveda, Grīṣma não é inimigo. É mestre. Professor que ensina que o corpo não foi feito para performar o ano inteiro no mesmo tom. Ensina que saber parar não é desistência, é leitura correta da realidade, uma vez que descansar deixa de ser escolha e se torna sabedoria aplicada.


Quem aprende essa lição atravessa o verão com menos desgaste e chega às próximas estações com mais integridade. Quem a ignora os desafios do verão, irá acumular fadiga que não desaparece com férias ou pausas curtas, e aberturas de portas para viroses na saída da estação.


meditar

Cuidar-se no verão é um ato de inteligência, não de indulgência


Existe uma estética perigosa em circulação: a estética da exaustão. Ela romantiza o cansaço, glorifica a sobrecarga e trata o cuidado, o colocar limites, o reconhecer suas limitações e manifesta-las como fraqueza. O Ayurveda caminha na direção oposta. Cuidar-se, especialmente no verão, é um ato ético. Um compromisso com a continuidade ciclica da vida, da clareza mental e da presença no mundo.


A tradição ayurvédica sempre entendeu o cuidado cotidiano como parte da sādhanā — não algo extra, mas estrutural. Ajustar rotinas, alimentação, ritmo e estímulos no verão não é “mimo”. É inteligência biológica e maturidade espiritual.

O verão testa os nossos limites e todas as manifestações vivas a nossa volta.

A sabedoria está em escutá-los antes que o corpo precise gritar.


Faça a sua rotina como caminho, não como rigidez.

Desejamos boas mudanças.

Prof Erick Schulz

Profa Sabrina Alves

Foi a partir dessa compreensão — clínica, filosófica e vivida — que nasceram os e-books Verão com Ayurveda e Sabores do Verão com Ayurveda. Eles existem para oferecer orientação concreta em um período em que o corpo e a mente pedem menos ruído e mais precisão.



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Desejamos que ele o acompanhe como uma brisa, uma água fresca, um lembrete de que o cuidado é uma prática diária, não uma ocorrência extraordinária.



Com carinho, rigor e tradição viva, os autores

Prof. Erick Schulz & Profa. Sabrina Alves

Instituto Naradeva Shala

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